Ajudante de pedreiro teria sido torturado por cerca de 40 minutos
Além de receber choques elétricos, Amarildo teria sido afogado em um balde e sufocado com saco plástico na boca e na cabeça. Agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) do Ministério Público colheram depoimentos de policiais militares ao longo das últimas semanas. Ao menos cinco confirmaram que Amarildo foi torturado próximo à sede da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha.
Disseram, inclusive, que os gritos podiam ser ouvidos claramente. Segundo a promotora Carmem Elisa Bastos, do Gaeco, quatro PMs teriam sido efetivamente os torturadores de Amarildo: tenente Luiz Medeiros, o sargento Gonçalves e os soldados Maia e Vital.
Outros 13 teriam participado indiretamente. Ainda segundo o MP-RJ, mais 15 policiais militares, entre eles três mulheres, foram denunciados pelo órgão, totalizando 25 acusados pelo crime.
Ainda de acordo com o Ministério Público, o major Edson, ex-comandante da UPP que hoje está preso no complexo de Bangu, estava em seu escritório durante a sessão de tortura. A sala do major ficava, segundo o MP, próximo ao local e, por isso, ele teria escutado cada detalhe. Amarildo foi torturado por PMs para indicar paiol de armas: "Boi, perdeu.
Chegou a tua hora" Caso Amarildo: polícia espera resultado de exames de 8 corpos no Rio Para Beltrame, caso Amarildo não enfraquece UPPs No início do mês, o Gaeco havia informado que escutas telefônicas autorizadas pela Justiça do Rio ajudaram a Divisão de Homicídios nas investigações que levaram à prisão preventiva de dez PMs, os primeiros denunciados.
Os dez agentes tiveram os telefones celulares grampeados e monitorados. Uma escuta revelou conversa de um PM com a namorada três dias após a reprodução simulada na Rocinha, que refez as versões dos PMs da noite em que Amarildo desapareceu.
Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, o acusado disse à mulher: "Eles já sabem o que aconteceu, só não têm como provar". Para atrapalhar as investigações, um dos PMs tentou se passar por um traficante conhecido como Catatau.
Segundo a polícia, o acusado telefonou para um celular apreendido que vinha sendo monitorado e assumiu a autoria da morte de Amarildo, como se fosse Catatau. Entretanto, segundo a delegada Elen Souto, ficou provado que a voz não era do traficante. Em seguida, de acordo o Gaeco, a voz das gravações foi comparada com a de 34 policiais militares.
Foi então que concluiram que seria um soldado identificado como Marlon Campos Reis.
As gravações das conversas dos acusados ainda mostraram, segundo a polícia, que eles combinavam versões sobre o crime na tentativa de não cair em contradição diante dos investigadores.
Em uma das delas, o major Edson Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha, liga para um dos PMs acusados, segundo Barbosa.
— O major Edson tenta combinar depoimentos com o soldado Vital.
Quando o soldado Vital sai da DH, ele [Edson] liga para o soldado Vital e pergunta: 'Vital, você disse na DH que foi lá embaixo só para buscar o Amarildo?' R7
